Te amo espanhola

E aí? Qual brincadeira na cama que você mais gosta?

Nossa geração, muito mais em que qualquer outra, carrega claramente o broche da liberdade sexual pregado em suas vestes. O processo, iniciado há décadas atrás, agora não é seguido apenas por um grupo específico de ativistas, e sim por praticamente todos os jovens mais "esclarecidos". Mas até que ponto é válido aderir à bandeira da liberdade sexual? E, afinal, que conceito essa bandeira carrega?


Para entendermos o fenômeno é preciso voltarmos na história, desde o surgimento de uma suposta Revolução Sexual, que teve seu início nos últimos 30 anos. A ideologia do movimento buscava afrouxar as rédeas da moral e da tradição, consideradas até então opressoras. E depois do "paz e amor" em Woodstock, foi inevitável frear as mudanças: liberdade sexual, homossexualidade, igualdade feminina no campo sexual, nudez, pornografia e tantas outras pequenas revoluções que chacoalharam a cabeça dos mais conservadores. De uma maneira geral, nós, que vivemos nessa sociedade mais obscena, tratamos do assunto como protagonistas de uma era mais esclarecida e madura, sem os preconceitos e livres da moral opressora. Mas o grande problema de nossa mentalidade contemporânea é justamente esse: acreditar que, qualquer norma ou comportamento que coíba deve ser banido.
O que me faz pensar nisso? Ora, é só olhar a sua volta. A infância tradicional acabou, crianças estão iniciando sua vida sexual aos 12 anos; O caráter da relação sexual está sendo degenerado, passando a ser tratado por muitos como aventura - eu falo sobre o batido "sexo casual"; Os milenares dogmas religiosos começam a serem questionados, com homossexuais sonhando em adotar crianças e se casar na igreja; Entre outros. Ao mesmo tempo, nossa nova forma de enxergar o mundo aliada ao conceito de liberdade a todo custo, nos faz aceitar e aderir a essas mudanças, o que, futuramente, pode nos deixar embriagados - de tanta liberdade. Imaginem só, um mundo em que a liberdade (não só) sexual impeça uma pessoa de discordar de atos que ela considera questionável? Em breve teremos de aceitar sexo com cadáveres, sexo liberado na praça do bairro ou até mesmo a livre liberdade sexual entre crianças. Já hoje em dia, por vezes me sinto reprimido - fora do campo sexual - por não aceitar o uso de drogas como um ato válido. Esse é um caso de repressão ideológica patrocinada justamente pelo ideal de liberdade. Ora, a liberdade sexual não pode simplismente atacar qualquer manifestação conservadora, do contrário, será tão extremista quanto a sociedade que ela mesma enfrentara décadas atrás. Aliás, em nenhum campo social a liberdade pode fazer esse tipo de opressão - vide o exemplo das drogas citado acima.
É preciso ter equilíbrio. Não é a toa que sempre digo que a maior das virtudes não foi listada. Ao meu ver, esta é a Moderação. É essa característica que diferencia uma pessoa livre de uma libertina e/ou de uma pessoa livre de outra com amarras sociais.
Mas a questão não é se prender ou se soltar. É avaliar as situações com senso crítico e não agir como se fosse um escravo dos desejos e da luxúria. O assunto gera muita discussão e qualquer um passa pelos conflitos comportamentais que ele gera, mas hoje em dia, em comparação com anos anteriores, somos mais livres para fazer escolhas nesse campo. Ainda há cobranças, tanto por parte da família - a mais tradicional, conservadora - quanto por parte da sociedade - extravagante e liberal - mas não podemos nos deixar levar por comportamentos e valores adotados por tais. Nossa individualidade precisa ser levada em consideração.
Ao meu ver, a liberdade sexual é muito importante, principalmente no que diz respeito à natureza humana. Mas isso não significa que devamos adotá-la como regra primordial. Até porque, existem virtudes que muitas vezes são mais ricas e nobres que nosso instinto animal. 
Afinal, o gozo é o nirvana de todos nós. Só que quando ele é atingido por entre quatro paredes e junto a pessoa amada, é como estar na pele do próprio Buda!

De resto, só tenho a dizer que adoro fazer uma espanhola. E você?

4 adendo(s):

Marcelo Resende disse...

O conceito de moderação pode ser ligado ao conceito de bom senso. Na nossa sociedade desenfreada, esses conceitos te fazem "conhecer" algumas pessoas que te cercam no dia-a-dia. E vamos servindo aos egos mortais, sem ou com liberdade sexual.

Marcos Reis disse...

Pra mim nada é mais claro que a velha metáfora do sexo arroz e feijão. "Junto é maravilhoso, mas dá pra comer separado". O problema com esse modernismo é a criação do hábito da foda sem importância. É o que vemos nessa iniciação sexual precoce em jovens. Cada vez mais perde-se o sentido do sexo, que mesmo baixo, vulgar, sujo, ainda pode ser sentimental. E pra seguir a linha nos comentários, um boquete feito com gosto resolve qualquer problema na minha vida.

Dona Maria disse...

Eu? Ah, eu sou virgem.
É sempre assim e com todos os "movimentos", sabia? Uma geração luta por um ideal e as sucessoras cagam tudo, banalizam e vulgarizam o que foi tão importante para uns no passado. Não vê o rock? Quantas e quantas pessoas foram de encontro às mentes conservadoras que condenavam a música... E hoje rock é restart pfff.
Eu tô com você, acredito que é possível sim embriagar-se de tanta liberdade e que é só uma questão de equilíbrio. =)

Fernanda Marques      ὡ      disse...

Mesmo não tendo experiência no assunto , e não sei do que talvez irei gostar mais . Concordo que sim o sexo está colocado hoje em dia de uma forma negligente , ainda acho -e pretendo continuar pensando - que o ATO sexual , nunca deveria ter deixado de ser uma coisa sentimental e intima - pois hoje em dia é de costume transarem e divulgar aquilo como se todos ao redor precisasem saber . e isso sinceremente - mesmo que ninguém tenha pedido a minha opinião -, me irrita profundamente .