Recentemente temos enfrentado em nosso dia a dia o mais novo conceito do século XXI: O politicamente correto.
Essa é a linha de pensamento seguida por inúmeros teóricos da imbecilidade que atinge diretamente a cada um de nós, no que diz respeito ao próprio respeito em si. O que quero dizer é: o politicamente correto é extremamente preconceituoso.
Para não parecer uma generalização, digo logo que os assuntos de que trato aqui são sobre as inúmeras formas de humor que são depreciadas e consideradas ofensivas por esses neoconservadores. E o que e quem são esses trolls da polícia do pensamento? - eu respondo: São pessoas puras e de ficha limpa no que diz respeito à ofensas. Elas nunca xingaram, maltrataram ou fizeram aquele típico humor negro com alguém. Sentem aversão ao preconceito e se colocam no direito de julgar e criticar qualquer pessoa que eventualmente o cometa. Eles incomodam-se pelo fato de existir uma série de atitudes e comportamentos considerados engraçados que de alguma forma fira uma pessoa que, social ou historicamente sofre, espera-se que sofra ou sofreria preconceito - Aí é que está! O ideal de vida do defensor do "humor correto" é transformar essa "piada de mal gosto" que são impostas ao tal "homem sofrido" num ato criminal e sem humor. E é nesse exato contexto que se encontra o maior dos preconceitos do assunto.
O intelectual do politicamentum correctis (no latim, rs) não aceita que se faça piada com uma classe desprivilegiada, mas não por seu senso de justiça, e sim por não aceitar que se faça piada de algo "tão sério". Daí é preciso então, excluir mais ainda essas pessoas do espaço em que elas vivem. É preciso calar a boca de quem faria tal ofensa, pois esta seria uma pessoa perigosa para a sociedade (Pois ela fere quem faz parte de um estamento inferior). Se caracteriza aí, as formas com a qual o politicamente correto aborda a situação: ora excluíndo o público alvo de ser o alvo, ora julgando os que cometem os atos como mal-feitores. Ou seja, são os próprios defensores da causa "correta" os primeiros a colocarem os supostos oprimidos como coitadinhos e os primeiros a colocarem as piadas como tentativas de opressão. Conceitos extremamente invertidos, em minha concepção...
Na verdade, esses dois atos descritos no parágrafo acima não passam de duas formas distintas de preconceitos, porém, transvestidos em virtudes mal elaboradas.
O humor feito com um negro ou um deficiente físico pode ser mais gratificante para ele do que uma lei que proíba que se faça piada dele. Deixando o ponto mais claro, eu diria que ver o outro fazendo humor com a sua pessoa pode, dentro do caso o qual me refiro, ser libertariamente cruel. E é exatamente isso: ser, antes de cruel, libertário. Ser alvo de uma piada, nem sempre é sofrer uma afronta ou uma aversão - mas eu repito: isso se aplica dentro do caso o qual me refiro, no caso, o lado sadio da brincadeira. Fora dessa linha de raciocínio estão ofensas sérias e humilhações premeditadas. Mas eu estou falando de HUMOR!
Numa situação hipotética, um humorista faz uma piada sobre cadeirantes em um stand-up comedy. O sujeito ao lado, alto, forte e preconceituoso(!), se sente mal pelo cadeirante, fica com raiva do humorista (afinal, ele não respeita a deficiência dos outros) e se revolta. Isso tudo enquanto o próprio cadeirante ri e gosta muito. Mesmo que ele não pense nisso ou nem saiba, neste momento, ele está sendo lembrado e, principalmente, integrante do meio social que está inserido. Afinal, ele faz parte do mesmo. Ele precisa fazer parte desse meio!
E mais uma coisa: Me perdoem invadir a intimidade de vocês com uma opinião pessoal, mas... Se formos pegarmos essas piadas, seja com mulheres, negros ou homossexuais... Crime mesmo será o humor escrachado e sem espírito crítico do Pâniconatv junto com as piadas repetidas que o Nerso e os humoristas do ZorraTotal fazem semanalmente. Isso sim é crime! Crime à capacidade crítica e intelectual de cada um de nós.
Deixem os grandes fazerem piadas sobre o que eles quiserem. Se por acaso um dia você fizer parte dela ou se sentir ofendido pelo outro, seja grande também: ENTENDA a piada.
"We have to be cruel to be kind"
(W. Shakespeare)
3 adendo(s):
A sociedade inteira pode ser satirizada, menos os oprimidos. Então eles deixam de fazer parte da sociedade?
Se vc acha graça de um cara que te zoa por vc ser alto, magro, gordo, estressado. Pq um cego não pode achar graça nas sutiações que ele passa no dia-a-dia?
A ideia é simples. Um deficiente/pobre/homosexual é tão normal quanto os outros que é sacaneado de forma igual tbm.
Eu sou preconceituosa, tenho preconceito contra moralistas. Também concordo com você, o Panico é uma afronta a cultura e inteligência das pessoas... mas tem espectadores, né? É o Brasil.
Belo texto. E um vídeo que o resume:
http://www.youtube.com/watch?v=M38xJ2BHJjw .
Postar um comentário